Quando o assunto é desempenho escolar, uma dúvida aparece com frequência entre as famílias: quanto tempo meu filho deveria estudar em casa por dia?
Não existe uma resposta única. Afinal, idade, etapa escolar, quantidade de atividades e necessidades individuais influenciam essa organização.
Além disso, estudar por mais tempo não significa necessariamente aprender mais. Pesquisas sobre aprendizagem apontam que distribuir o estudo ao longo do tempo tende a favorecer a retenção do conteúdo em comparação com concentrar toda a revisão em uma única sessão. Uma revisão publicada na Nature Reviews Psychology destaca justamente a prática espaçada e a recuperação ativa de informações entre as estratégias respaldadas pela ciência da aprendizagem.
Qual é a importância de uma rotina de estudos?
Ter uma rotina ajuda o estudante a compreender que aprender não acontece apenas nos dias anteriores às provas.
Quando existe organização, o aluno consegue dividir conteúdos, revisar o que aprendeu e realizar atividades sem acumular todas as responsabilidades.
Ao mesmo tempo, a rotina pode contribuir para o desenvolvimento de competências importantes, como:
- organização;
- responsabilidade;
- autonomia;
- gestão do tempo;
- disciplina;
- capacidade de estabelecer prioridades.
Portanto, mais importante do que simplesmente determinar uma quantidade de horas é construir regularidade e qualidade no estudo.
Quanto tempo estudar em cada fase?
Não existe uma quantidade universal de minutos adequada para todos os estudantes. Por isso, a rotina deve considerar a etapa escolar e as orientações pedagógicas da escola.
Na Educação Infantil, por exemplo, não faz sentido reproduzir em casa uma rotina formal de longos períodos de estudo. Brincadeiras, leitura, conversas e experiências cotidianas também fazem parte da aprendizagem.
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a organização pode começar a ganhar espaço. Nesse momento, realizar as atividades propostas e criar hábitos simples já ajuda a desenvolver responsabilidade.
Conforme o estudante avança para os Anos Finais, aumenta também a necessidade de planejamento. Afinal, existem mais componentes curriculares, trabalhos e avaliações.
Já no Ensino Médio, organização e autonomia tornam-se ainda mais importantes. Além das demandas escolares, entram no horizonte vestibulares, Enem e escolhas relacionadas ao futuro acadêmico.
Estudar um pouco todos os dias ou tudo antes da prova?
A ciência oferece uma pista importante. Uma meta-análise de pesquisas realizadas em ambientes educacionais encontrou vantagem moderada para a prática distribuída, na qual o contato com o conteúdo acontece em diferentes momentos, em comparação com a prática concentrada.
Na prática, isso significa que revisar conteúdos durante a semana pode ser mais interessante para a retenção do que tentar estudar uma grande quantidade de informações de uma só vez.
Portanto, uma rotina pode incluir pequenas revisões, resolução de exercícios, leitura e tentativa de recordar o conteúdo sem consultar imediatamente o material.
E as pausas?
Elas também precisam fazer parte do planejamento.
Depois de períodos de concentração, pequenas pausas podem tornar a rotina mais sustentável. Além disso, estudar durante horas seguidas pode aumentar o cansaço.
O importante é evitar que uma pausa curta se transforme em uma interrupção muito longa. Por isso, celular, televisão e outros estímulos precisam ser administrados conforme a idade e a maturidade do estudante.
Qual deve ser o papel dos pais?
A participação da família é importante. Entretanto, acompanhar não significa realizar as tarefas pelo estudante.
Uma meta-análise envolvendo 28 estudos e mais de 378 mil participantes encontrou resultados diferentes conforme o tipo de participação familiar. Entre as dimensões analisadas, o apoio à autonomia foi aquela positivamente relacionada ao desempenho acadêmico.
Assim, os pais podem ajudar a:
- estabelecer horários;
- organizar um espaço adequado;
- acompanhar compromissos;
- incentivar constância;
- conversar sobre dificuldades;
- estimular a autonomia.
Conforme os filhos crescem, porém, a tendência é que assumam cada vez mais responsabilidade pela própria organização.
Rotina não precisa significar rigidez
Uma boa rotina precisa funcionar na vida real. Existirão dias com atividades esportivas, compromissos familiares, projetos escolares ou maior necessidade de descanso. Portanto, organização também significa aprender a fazer ajustes.
O objetivo não deve ser transformar a casa em uma extensão permanente da sala de aula. Mais do que contar horas, é importante construir hábitos que ajudem o estudante a aprender a aprender.
No Barão, autonomia, responsabilidade e protagonismo fazem parte de uma formação que acompanha o aluno em diferentes etapas da vida escolar.
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