Novos hábitos, novas questões

Atualmente, nossa relação com o celular é tão próxima que já se pode dizer que sofremos de uma síndrome de hiperconexão: verificamos as mensagens o tempo todo, levamos o aparelho para todo canto e até dormimos com ele próximo a nós.

Não somente o celular, mas todos os diversos dispositivos digitais que estamos habituados a usar. Nosso contexto às vezes parece tão virtual, que não nos permite manter o foco por muito tempo.
E não estamos falando apenas de adultos: está cada vez mais precoce o acesso de crianças aos smartphones e computadores. Até alguns anos atrás, discutia-se qual seria a idade ideal para se ter acesso a um aparelho ou uma página em redes sociais.
Mas como falar sobre isso quando a tecnologia foi necessária para que milhares de crianças e adolescentes acompanhassem as atividades escolares e interagir com suas famílias e amigos durante a pandemia? O fato é que ela faz parte do nosso tempo e não temos como evitá-la, seja no uso recreativo ou educacional.
Acreditamos que o mais significativo neste momento é entender melhor essa necessidade e perceber os excessos onde eles existem, pois o efeito da tecnologia em nossas relações e aprendizados não pode ser visto simplesmente como “positivo” ou como “negativo”. Há nessa questão nuances muito mais profundas e que exigem olhar crítico e inteligência emocional da parte de todos.
Quando levamos esse questionamento para o contexto da educação socioemocional, abrimos um caminho para falar mais profundamente sobre dois temas: conexão e conectividade.
Nos dias atuais, estamos tão focados em nossos aparelhos que pensar nesses dois termos pode acabar remetendo automaticamente à conexão digital. Mas será que o significado é apenas esse?
No dicionário, os termos trazem muitas definições, mas para falar sob o olhar da educação socioemocional queremos focar na definição de conexão e conectividade como: “ato ou efeito de conectar, de ligar ou de unir; ligação, união; aquilo que conecta, liga ou une”.
Afinal, o que conecta ideias, pessoas, escolas, famílias, trabalhos, etc.? Entender como entramos em contato conosco, com os outros e com o mundo é fundamental para realizar escolhas conscientes e desenvolver autonomia com responsabilidade.
Sem esquecer também de que, com a ascensão das tecnologias, a humanidade foi convocada a criar e recriar suas formas de se relacionar e estar no mundo. Seja com a chegada do fogo, da linguagem, da roda ou da internet, nossas demandas, maneiras de se comunicar, locomover, viver e conviver no mundo foram transformadas.

Fonte: “Este artigo foi elaborado e originalmente publicado no  blog de conteúdos educacionais da LIV.