Um livro pode ocupar poucos minutos do dia. Entretanto, a experiência construída ao redor dele pode acompanhar uma criança por muito mais tempo.
A leitura na infância é frequentemente associada ao desenvolvimento da linguagem, ampliação do vocabulário e formação de futuros leitores.
Mas o que as pesquisas realmente mostram?
O contato frequente com livros está associado ao desenvolvimento da linguagem
Um grande estudo publicado em 2026 analisou dados de 36.866 pares de mães e crianças no Japão. Os pesquisadores encontraram associação positiva entre maior frequência de leitura compartilhada e diferentes áreas do desenvolvimento infantil. Aos três anos, a leitura frequente também esteve associada a melhores pontuações de comunicação.
Outras pesquisas ajudam a compreender por que a experiência pode ser tão rica.
Durante uma leitura compartilhada, a criança entra em contato com palavras, construções de frases, personagens, situações e ideias que nem sempre aparecem nas conversas cotidianas.
Ler junto é diferente de apenas entregar um livro
Especialmente nos primeiros anos, o adulto tem um papel importante.
Uma pesquisa brasileira publicada em 2025 acompanhou interações entre mães e crianças de cinco e seis anos. Após uma intervenção voltada às estratégias de leitura compartilhada e comunicação, todas as crianças apresentaram melhora em alguns aspectos avaliados do repertório comunicativo.
Isso mostra que a experiência pode ir além de simplesmente pronunciar as palavras escritas.
Durante a leitura, os adultos podem:
- conversar sobre as imagens;
- perguntar o que a criança acha que acontecerá;
- explorar palavras novas;
- relacionar a história a experiências;
- permitir que a criança faça perguntas;
- conversar sobre personagens e acontecimentos.
Existe um número mágico de minutos?
É comum encontrar recomendações como “leia 15 minutos por dia”. Como orientação prática, estabelecer um pequeno período pode ajudar a criar constância.
Porém, a ciência não estabelece um número universal de minutos que garanta determinado resultado para todas as crianças.
Além disso, a qualidade da interação também importa.
Um estudo longitudinal encontrou associação entre conversas realizadas durante a leitura compartilhada na pré-escola e desenvolvimento de vocabulário.
Portanto, em vez de transformar a leitura em cronômetro, vale pensar em frequência, envolvimento e interação.
Como incentivar sem transformar o livro em obrigação?
Esse talvez seja um dos maiores desafios.
Quando toda leitura termina em cobrança, resumo ou questionário, o livro pode começar a ser percebido apenas como tarefa.
Em casa, outras estratégias podem ajudar:
Deixe livros acessíveis.
Quando fazem parte do ambiente, eles se tornam uma opção mais natural.
Permita escolhas.
Quadrinhos, aventuras, poesia, curiosidades e diferentes gêneros podem despertar interesses distintos.
Leia junto.
Principalmente na infância, compartilhar a experiência pode ser tão importante quanto o livro escolhido.
Converse sobre histórias.
Perguntar opiniões pode ser mais interessante do que testar se a criança “entendeu corretamente”.
Dê o exemplo.
Quando a leitura também aparece na rotina dos adultos, ela deixa de ser uma exigência exclusiva das crianças.
E quando os filhos crescem?
O incentivo não precisa desaparecer. O tipo de leitura pode mudar conforme os interesses, a maturidade e a etapa escolar. Além disso, adolescentes podem se aproximar de biografias, fantasia, ficção científica, literatura brasileira, quadrinhos, reportagens ou outros gêneros.
O importante é compreender que formar um leitor é um processo.
Na escola, literatura, interpretação e diferentes experiências com textos ajudam a ampliar repertório. Em casa, a família pode contribuir criando espaço para que a leitura também seja descoberta.